Não gosto de você

                Não gosto de você, velho amigo. Não gosto pois tu me lembra que já houve uma velha eu e se esse eu é velho para mim é porque foi substituído com propósito. Meu antigo eu era infeliz, inseguro, não amava bem, não agia bem, tentava demais.

                Eu ainda tento demais, mas pelo menos agora não tento com amigos e se erro, apenas passa, não conheço mesmo aquela pessoa com quem eu passei qualquer tipo de vergonha. Eu não gosto das tensões sociais, nunca gostei, mas antes eu ao menos acreditava que valia a pena tentar, mas realmente, apenas não.

                Eu nunca conseguirei entender, não sei o limite do engraçado, não sei o limite do sincero, não sei o limite das palavras. Não acredito nesse limite.

                Não gosto de você, velho amigo, pois você me apresenta o limite de tudo o que eu poderia ter sido.

                Eu poderia ter estudado ao invés de tentar agradar…Meus amigos, nunca os encontrei por esforço, mas por coincidência, então meu suor é gratuito, certo? Sempre foi. Eu poderia ter começado algo grande, tinha tempo para aprender. Ainda tenho, mas agora a escola já se foi e as possibilidades ficaram limitadas, porque eu queria agradar aqueles amigos meus, ser engraçada, ser descolada.

                Rapaz, no que dependeu da minha personalidade, eu sempre pude ser um tipo de retardada. O mundo é selvagem, mas a gente tenta, né. A vida é isso, não dá, mas não tem outro jeito, então a gente tenta.

                Você pode até não saber viver, mas o que você sabe, trate como preciosidade. Eu sei que o que é meu, eu escondo debaixo dos lençóis e durmo abraçadinha no coração. Pelo menos essa parte eu posso ser rosa. Meus velhos amigos não, nunca os guardarei no coração, mas sim na memória, como uma outra vida. Os atuais, esses que sejam sempre como frescor do outono, um dia bonito, uma música suave tocada no violão que fale mais do que palavras. Dias assim ficam na memória também, mas a gente sabe que vão se repetir de tempos em tempos, sempre novo e agradável. O acordar numa casa que é sua.

                Enquanto for minha, será.

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