Olhe para mim

                Estou procurando a beleza. Ela me intriga. A beleza agora não parece se tratar da perfeição, mas sim de algum tipo de conjunto da obra. Um ângulo específico da luz ao bater nos olhos de alguém que olha para quem ama. Cada cor da sua íris se destacando e mostrando emoção, como se seus olhos abertos pudessem sorrir à luz. Essa imagem não está em nenhuma pintura ou foto, o que me faz querer saber pintar ou tirar fotos, mas nunca será tão espontâneo quanto agora, e nunca será o mesmo.

                É por isso que é tão bonito: é seu presente para mim. Único e belo, consumindo-se como um beijo, quieto e tão musical. Tão verde, tão fresco. A cicatriz na sua sobrancelha completa seu olhar como as estrelas cercam a lua. Seu olhar é poderoso. Ele abre meus próprios olhos para todas as coisas belas já feitas, as sutilezas que pessoas dedicadas põe em seus trabalhos esperando que alguém como eu veja, a tristeza nos solos de blues, o perfeccionismo na direção de um filme inesquecível.

                Seus olhos me mostram o caminho entre as linhas, que não se trata de segredos no coração do autor, mas da imagem vívida do que se leu. Tudo o que não vem dos seus olhos é vulgar e me faz mundana, é concreto, sem brilho e mata o meu querer.

                Não desprezo, tudo o que você fez por mim é bom, mas é tão pouco quando vejo que tudo o que eu quero é viver entre o verde e o castanho do fundo até o dia em você morrer. Até lá, por favor, me dê a beleza, eu ainda não a compreendi completamente.

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